Direitos Humanos e Antigitanismo

Direitos não são concessões.

Os direitos humanos constituem um dos eixos permanentes de atuação da Urban Nomades Brasil.

Nossa atuação busca contribuir para a documentação, compreensão e enfrentamento das diferentes formas de discriminação, exclusão, perseguição e apagamento que atingem Roma e Sinti.

Preservar memória também significa reconhecer como processos históricos de perseguição podem permanecer, assumir novas formas ou produzir consequências no presente.

“Conhecer direitos também é uma forma de defendê-los.”
01 — Direitos humanos

Roma e Sinti são sujeitos de direitos.

Falar sobre direitos humanos de Roma e Sinti significa reconhecer pessoas, famílias e comunidades como sujeitos de direitos, de memória, de cultura e de participação social.

A Urban Nomades Brasil trabalha para ampliar o acesso à informação, contribuir para a produção de conhecimento e fortalecer espaços de educação e diálogo sobre direitos.

Nossa atuação parte do princípio de que nenhuma população deve ser reduzida a objeto de estudo, tutela ou representação externa.

Roma e Sinti devem participar da construção das narrativas, políticas, pesquisas e iniciativas que dizem respeito às suas próprias experiências.

“Direitos humanos também significam direito à voz, à memória e à participação.”
02 — O que é antigitanismo

Dar nome à discriminação também é torná-la visível.

Antigitanismo é o termo utilizado para identificar formas específicas de preconceito, racismo, hostilidade, estigmatização, discriminação e perseguição dirigidas historicamente contra Roma e Sinti.

Ele pode aparecer em discursos, representações culturais, práticas sociais, instituições, políticas públicas e processos de exclusão.

Nem sempre se apresenta de maneira explícita.

Pode também estar presente na reprodução de estereótipos, na invisibilização histórica, na negação de direitos, na produção de imagens desumanizantes e na ausência de Roma e Sinti dos espaços onde suas próprias histórias são discutidas.

“Para enfrentar uma forma de discriminação, primeiro precisamos reconhecê-la.”
03 — Da história ao presente

O antigitanismo não começou no século XX — e não terminou com ele.

A perseguição de Roma e Sinti possui uma longa história na Europa e em diferentes sociedades.

Durante o regime nazista e seus aliados, essa perseguição alcançou dimensão genocida no Samudaripen / Barô Mudaripen.

Mas a memória do genocídio não deve ser apresentada como um acontecimento isolado de processos históricos anteriores e posteriores de exclusão e discriminação.

Estudar essa continuidade permite compreender por que a memória é também uma questão contemporânea de direitos humanos.

CONHECER A ÁREA DE MEMÓRIA
04 — Como o antigitanismo se manifesta

Reconhecer os mecanismos.

  • 01 —Estereótipos

    Generalizações que atribuem características fixas e negativas a Roma e Sinti.

  • 02 —Invisibilização

    Ausência ou apagamento das experiências Roma e Sinti na história, na educação, na documentação e nos espaços públicos.

  • 03 —Discriminação

    Tratamentos desiguais que podem limitar acesso a direitos, serviços, oportunidades e participação.

  • 04 —Discurso de ódio

    Narrativas que promovem hostilidade, inferiorização, desumanização ou violência.

  • 05 —Apagamento da memória

    Negação, minimização ou ausência das experiências históricas Roma e Sinti nos processos de memória e memorialização.

  • 06 —Exclusão da participação

    Discussões, pesquisas ou decisões sobre Roma e Sinti realizadas sem participação significativa das próprias pessoas envolvidas.

05 — Memória e direitos humanos

O passado também ensina a reconhecer mecanismos de exclusão.

A memória do Samudaripen / Barô Mudaripen ocupa lugar central nessa reflexão.

Preservar documentos, testemunhos, trajetórias e lugares de memória permite compreender não apenas aquilo que aconteceu, mas também os processos que tornaram a perseguição possível.

Por isso, memória e direitos humanos não são áreas separadas dentro da Urban Nomades Brasil.

Elas fazem parte do mesmo compromisso com documentação, educação, dignidade e transmissão histórica.

“Memória não é apenas aquilo que lembramos. É também aquilo que decidimos não permitir que seja apagado.”
06 — Educação contra o preconceito

Conhecimento também pode interromper estereótipos.

A educação é uma das ferramentas fundamentais para enfrentar preconceitos construídos e reproduzidos ao longo do tempo.

Materiais educativos, pesquisas, oficinas, publicações, exposições, palestras e atividades de memória podem contribuir para ampliar o conhecimento sobre Roma e Sinti e questionar representações baseadas em estereótipos.

A Urban Nomades Brasil busca contribuir para esse processo por meio de suas ações de memória, documentação, pesquisa e educação.

07 — Documentar

Registrar também é proteger memória e direitos.

Documentos permitem preservar acontecimentos, experiências, reivindicações, pesquisas e processos institucionais.

Por isso, a documentação ocupa lugar importante na atuação da Urban Nomades Brasil.

Progressivamente, relatórios, notas técnicas, publicações, pesquisas e outros materiais poderão integrar a Biblioteca Urban Nomades.

ACESSAR A BIBLIOTECA
08 — Participação e protagonismo

Nada sobre nossas histórias sem nossas vozes.

A Urban Nomades Brasil defende que Roma e Sinti participem dos processos de produção de conhecimento, preservação da memória e discussão de questões que afetam suas vidas.

Participação não significa uniformidade.

Roma e Sinti possuem diferentes trajetórias, comunidades, organizações, perspectivas e formas de atuação.

Por isso, a Urban Nomades Brasil não reivindica representação automática sobre comunidades, famílias, grupos ou organizações Roma e Sinti.

Cooperação deve respeitar autonomia, diversidade e protagonismo.

09 — Crianças, mulheres, jovens e pessoas idosas

Direitos atravessam gerações.

A proteção dos direitos humanos precisa considerar diferentes experiências dentro das próprias comunidades.

Crianças e adolescentes, mulheres, jovens e pessoas idosas podem enfrentar situações e desafios específicos que exigem atenção, escuta e proteção.

A Urban Nomades Brasil reconhece a importância de incorporar essas diferentes perspectivas em suas ações educativas, documentais e institucionais.

10 — Pesquisa e documentação

Produzir conhecimento para compreender e enfrentar.

O enfrentamento ao antigitanismo também depende de pesquisa, documentação histórica e produção de conhecimento.

A Urban Nomades Brasil busca contribuir para a construção e circulação de materiais que permitam compreender tanto processos históricos quanto questões contemporâneas relacionadas aos direitos humanos de Roma e Sinti.

PESQUISAR NA BIBLIOTECA
11 — Atuação

Da memória à participação institucional.

A atuação em direitos humanos também envolve participação em espaços de diálogo, formação, pesquisa, cooperação e construção institucional.

Os registros dessas participações serão apresentados progressivamente na área de Atuação Institucional da Urban Nomades Brasil.

CONHECER NOSSA ATUAÇÃO
Direitos precisam ser conhecidos.
Memórias precisam ser preservadas.
Discriminações precisam ser reconhecidas para serem enfrentadas.

URBAN NOMADES BRASIL
Coletivo Roma e Sinti de Memória e Direitos Humanos

Memória · Direitos Humanos · Educação · Protagonismo Roma e Sinti